domingo, 13 de março de 2011

Noções de Macroeconomia

Aqui reunimos textos que abordam a Economia das Nações, como diria John Mainard Keynes, a quem se atribui a descoberta da Macroeconomia como resultado do esforço para entender o que levou à Crise de 1929 e como superá-la. 



Vimos que a Microeconomia trata de mercados específicos separadamente, como o de carnes, carros, educação ou trabalho, por exemplo, e suas unidades econômicas. Ou ainda, trata da relação entre consumidores e produtores de um determinado produto, da relação entre as quantidades demandas e ofertadas do mesmo produto que é o que determina o preço relativo do mesmo, seja um bem ou serviço – Lei da procura e da Oferta, lembra?

Já a Macroeconomia, trata da economia de grupos populacionais, de uma cidade, estado ou nação, por exemplo. Não distingue os mercados específicos, trata da relação e efeitos entre as quantidades somadas, ou agregadas, do conjunto de produtos demandados e ofertados por consumidores e produtores de uma determinada população, como um todo.

Portanto, a Macroeconomia se concentra no trato das variáveis econômicas
agregadas de uma população como: inflação, desemprego, demanda agregada, oferta agregada, produção, renda, investimento, crédito, exportação, importação etc, que são indicadores do Desenvolvimento Econômico de uma nação e do grau de acerto das políticas econômicas dos governos que tanto afetam a vidas das pessoas em seu cotidiano, embora muitos de nós nem se dê conta disso.

Não por acaso, a Macroeconomia ocupa sempre presente ocupando grande espaço em jornais, telejornais e revistas, inclusive com publicações e canais que só tratam de economia, que diariamente apresentam eventos econômicos como inflação, desemprego, renda, produção, taxa de câmbio etc.

Algumas perguntas que a macroeconomia tenta responder:
·         Por que alguns países crescem mais do que outros?
·         Qual a relação entre crescimento e desenvolvimento econômico?
·         Por que é importante controlar a inflação?
·         O que pode levar um país à recessão?
·         Por que ocorre o desemprego e como se definem os salários?
·         Como o governo pode regulamentar a economia para evitar abusos e crises?

Ainda, é preciso entender que Macro e Microeconomia não se diferenciam porque uma trata de coisas grandes e a outra de coisas pequenas, na a ver. A diferença está no “olhar” sobre a economia, seu foco, parâmetros e metodologias. Há fenômenos econômicos que só são visíveis se o olhar for microeconômico, como o preço de um produto específico, outros fenômenos, apenas se o olhar for macroeconômico, com a inflação, por exemplo.

Além disso, há relações entre fenômenos micro e macroeconômicos. O conjunto de decisões individuais sobre consumo e produção de cada produto específico (micro) gera efeitos em escala agregada (macro) sobre o conjunto da economia de uma população. Ou seja, a Microeconomia, em certa medida, explica fenômenos Macroeconômicos.

Fonte

O ponto de partida da abordagem macroeconômica, é a Contabilidade Nacional, que é o registro contábil da atividade econômica e social de uma nação em um determinado período (mês, trimestre ou ano). No Brasil, a Contabilidade Nacional é de responsabilidade do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística – IBGE e segue os padrões estabelecidos pela Organização das Nações Unidas que são adotados pela maioria dos países.

Uma das principais medidas da atividade econômica de um país é o Produto Interno Bruto – PIB. O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos dentro por uma nação dentro de seu território, em um determinado período, por residentes e não-residentes.

Para compreender de que forma o PIB é calculado, é necessário compreender algumas identidades macroeconômicas básicas. A primeira delas diz que cada Real produzido é recebido por alguém na forma de renda e é gasto por alguém que consome. O diagrama abaixo, conhecido como fluxo circular da renda, auxilia na compreensão da identidade acima.

Entendendo o fluxo circular da renda:
·  Os fluxos internos 1 e 3 giram no sentido horário e representam o lado real da economia (fluxo real).
o O fluxo 1 indica que as famílias ofertam trabalho, terra e capital que são
demandados pelas empresas.
o O fluxo 3 indica que as famílias demandam os bens e serviços que são
ofertados pelas empresas.
·  Os fluxos externos 2 e 4 giram no sentido anti-horário e representam o lado
monetário da economia (fluxo monetário).
o O fluxo 2 indica que as empresas remuneram os fatores de produção
pagando salário (para o fator trabalho), aluguéis (para o fator terra ou capital
físico), lucro (para o risco) e juros (para o capital monetário).
o O fluxo 4 indica que as famílias gastam consumindo os bens e serviços
produzidos pelas empresas.
·  Os fluxos 1 e 2 pertencem ao mercado dos fatores de produção, enquanto os
fluxos 3 e 4 pertencem ao mercado de bens e serviços.
·  Os fluxos 1 e 2 representam o lado da produção e os fluxos 3 e 4 o lado do
consumo.

Ou Seja, a produção das empresas (produto) é realizada a partir dos fatores de produção ofertados pelas famílias, que são remuneradas (renda). Os bens e serviços produzidos pelas empresas são consumidos pelas famílias (despesa) com os recursos provenientes da remuneração.

Podemos sintetizar o fluxo circular da renda, exposto acima, na identidade
macroeconômica abaixo:

Produto = Renda = Despesa

2.1. Produto
O produto agregado (ou PIB), como já foi visto acima, é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos dentro do país, em um determinado período, por residentes e não-residentes. Ou seja,



Suponha que em um determinado país existam a produção de comida, e dois serviços: diversão e educação. Suponha também que a moeda do país se
chame Dinheiro (D$). Em 2010, foram vendidas 100 unidades de comida ao preço de D$ 2; 50 unidades de diversão ao preço de D$ 10; e 80 unidades de educação ao preço de D$ 5. Qual foi o PIB do referido país?

Para calcularmos o PIB do país, utilizamos a equação acima:



Conclusão: o PIB do país em 2008 foi de D$ 1.100.

2.2. Renda
A renda agregada representa a remuneração dos fatores de produção. Conforme visto no fluxo 2 (fluxo circular da renda), são os salários (remuneração do trabalho), aluguel (terra e capital físico), lucro (risco) e juros (capital monetário). Ou seja,



2.3. Despesa
A despesa agregada representa as possíveis destinações dos bens e serviços produzidos na economia. Em uma economia que produz apenas bens de consumo, a despesa será destinada unicamente para o consumo daqueles bens, isto é,

Despesa = Consumo

A seguir serão apresentados os principais agregados macroeconômicos usados na macroeconomia. Iniciaremos com o caso mais simples, o de uma economia fechada sem governo, e avançaremos até chegar a uma economia aberta com governo.

3.1. Economia Fechada sem Governo
O caso mais simples que se pode pensar é uma economia que não realiza trocas de bens e serviços com o resto do mundo (fechada) e sem governo. Nesse caso, tudo que é produzido na economia pode ser destinado ao consumo ou ao investimento. Em outras palavras, podemos dizer que as famílias podem consumir bens de consumo, para satisfazer suas necessidades básicas e bens de investimento, para aumentar a capacidade de produção da economia.
Y =C + I
Onde, Y: PIB, C: Consumo, I: Investimento

Aqui, fizemos a distinção entre consumo e investimento, algo que não aparece explícito no fluxo circular da renda. A diferença é simples. Em uma economia, dois tipos de bens podem ser produzidos: bens de consumo e bens de investimento. O primeiro grupo (bens de consumo) diz respeito ao atendimento das necessidades dos indivíduos e pode ser dividido em bens de consumo duráveis (veículos, eletrodomésticos, etc.) e não-duráveis (alimentos, vestuário, produtos de higiene, etc.). Os bens de investimento também conhecidos como fatores de produção são utilizados na atividade produtiva e podem ser divididos em bens de capital (máquinas, equipamentos, ferramentas, instalações, etc.) e
bens intermediários (ferro, aço, petróleo, etc.).

Para chegarmos a uma importante identidade macroeconômica, devemos definir poupança(parcela da renda não consumida).
S =Y -C, ou ainda,  S = I

Ou seja, o investimento da economia é financiado pela poupança das famílias.

3.2. Economia Fechada com Governo
Em uma economia fechada com governo, os bens e serviços produzidos na economia podem ser investidos ou consumidos pelas famílias ou pelo governo(G).
Y =C+ I +G
Aqui, devemos diferenciar dois tipos de poupança: poupança privada e poupança pública.
Já vimos que poupança privada é a diferença entre a renda disponível e o consumo. Já a poupança pública(Sg) é a renda disponível pelo governo após subtrair seus gastos(G) do arrecadado com os tributos(T). Ou seja,

Sg = T – G  logo, a renda disponível total(Yd) é Yd = Y - T

Se a poupança do governo é positiva dizemos que ele tem superávit fiscal. Caso contrário, o governo tem déficit fiscal.

A poupança nacional(Sn) ou doméstica é a soma das poupanças pública e privada. Ou seja, o investimento da economia pode ser financiado pela poupança privada e pela poupança do governo.
Sn = I

O PIB de uma economia fechada com governo é de US$ 2 trilhões. A poupança pública(Sg) é US$ 50 bilhões, a poupança privada(Sp) representa 15% do PIB e os tributos são de US$ 250 bilhões. Monte a equação macroeconômica e determine:
(a) o consumo das famílias;
(b) os gastos do governo;
(c) o investimento;
(d) a poupança nacional(S).

Eq. Macroeconômica: Y = C + I + G, 2.000bi= C + I + G

Ora: se Sg = T – G, G = T – Sg ou G = 250bi – 50bi, G = 200bi, questão b)

Se I = S e S = Sp + Sg então I = 50bi +(15% de 2.000) ou I = 50 + 300 = 350bi ou I = 350bi, questão c) e a poupança nacional, S = 350bi, questão d)

Logo, da eq macroeconômica, 2.000bi = C + 350bi + 200bi
 Portanto, C = 2.000 – 350 – 200 = 1.450bi ou C = 1,45tri, questão a)

3.3. Economia Aberta com Governo
Em uma economia aberta devemos acrescentar as exportações e importações de bens e serviços à equação.

Y =C+ I +G+ X -M

Onde, X: Exportações, M: Importações, A diferença X – M é o saldo comercial de bens e serviços, também chamada de exportações líquidas (XL), saldo de conta corrente ou saldo de transações correntes (TC).
Se o saldo é positivo, dizemos que a economia tem superávit comercial. Caso contrário, a economia apresenta déficit comercial. Sn = I + XL
XL= X -M , Combinando as equações, obtemos

Ou, I = S = Sp + Sg + Se, Onde, Se = Poupança externa

Ou   I = Sp + (T – G) + (M – X)

O investimento em uma economia aberta com governo pode ser financiado pela poupança privada (Sp), pela poupança pública (T – G) e pela poupança externa (M – X). Se um país tem déficit em transações correntes e déficit fiscal ele tem déficit gêmeos.

Tente.  O PIB de uma economia aberta é de US$ 10 trilhões. O consumo das famílias é de US$ 7 trilhões, os investimentos de US$ 1,5 trilhão e os gastos do governo de US$ 2,5 trilhões. Sabendo que os tributos representam 20% do PIB, pergunta-se: Essa economia apresenta déficits gêmeos?

Resolução:
Como se trata de uma economia aberta com governo, a equação do PIB pela ótica da despesa é Y =C+ I +G+ X -M . Substituindo os valores na equação, obtemos: 10 = 7 +1,5+ 2,5+ X -M, Então, X -M =10-11= -1
Ou seja, o país tem déficit de US$ 1 trilhão em transações correntes.
Para saber se o país tem déficit fiscal, devemos calcular a poupança do governo, dada pela equação S g =  T -  G, = 0,2×10 - 2,5 = -0,5
O país tem déficit fiscal de US$ 0,5 trilhão.

Conclusão: O país tem déficits gêmeos, pois acumula déficit em transações
correntes e déficit fiscal.

O PIB nominal, também chamado de PIB a preços correntes, pode ser definido como o valor de mercado de todos os bens e serviços finais produzidos num determinado período aos preços daquele período (correntes).

4. PIB real e PIB nominal
O PIB real, também chamado de PIB a preços constantes, é o valor de mercado de todos os bens e serviços finais produzidos num certo período aos preços de algum período de referência (período-base). Por isso, é chamado de PIB a preços constantes.

O cálculo do PIB real permite que conheçamos a variação real do produto do país, pois busca não considerar a variação dos preços do período, mas só o incremento do volume de bens e serviços produzidos.


Um conceito importante relacionado ao cálculo do PIB é o do deflator implícito do PIB. Define-se o deflator pela razão entre o PIB nominal e o PIB real.

 Suponha que a tabela abaixo apresente a quantidade produzida e o preço
praticado para o bem e os dois serviços disponíveis de um país.
 Determinar:
(a) O PIB nominal de 2006, 2007 e 2008;
(b) O PIB real de 2007 e 2008 a preços de 2006;
(c) O deflator do PIB em 2007 e 2008;
(d) A variação do PIB nominal em 2007 e 2008;
(e) A variação do PIB real em 2007 e 2008.
Resolução:
(a) Para determinar o PIB nominal dos anos 2006, 2007 e 2008, basta utilizar a equação  
e tomar os preços em valores correntes.

(b) O PIB real de 2007 e 2008 a preços de 2006 são determinados pela equação  
utilizando as quantidades de 2007 e 2008 e os preços de 2006. Ou seja, os preços são mantidos fixos (constantes).

(c) O deflator é calculado pela equação 
















  
(d) A variação do PIB nominal em 2007 e 2008 pode ser obtida pela equação
 (e) A variação do PIB real em 2007 e 2008 pode ser obtida pela equação
 Conclusão: Em 2008, o PIB do país cresceu 9,3851%, em termos reais. Note
que em termos nominais o crescimento foi de 16,4021%. A diferença, 6,415% foi a inflação de 2008. Em 2007, o crescimento real do PIB foi de 3,7493%.
Em termos nominais o crescimento foi de 5,7639% e a inflação de 2007 foi de
1,9417%.


5. Produto Interno ou Nacional, Produto Bruto ou Líquido e Produto a PM ou a CF

Quando incluímos o setor externo, aparecem duas medidas do produto que devem ser diferenciadas: Produto Interno Bruto e Produto Nacional Bruto. O primeiro compreende o valor final de todos os bens e serviços produzidos dentro do país por residentes e nãoresidentes. Já o segundo, refere-se à produção cuja renda é de propriedade dos residentes no país. Dessa forma, o produto nacional bruto – PNB é a diferença entre o produto interno bruto – PIB e a renda líquida enviada ao exterior – RLEE. Ou seja,PNB = PIB - RLEE
Outras duas medidas surgem quando incluímos a depreciação: produto bruto e produto líquido. Depreciação é a parcela de bens de capital consumida a cada período. Ou seja, parte do investimento realizado em um período é destinada a repor o que foi depreciado no período anterior. Assim, o produto líquido é a diferença entre o produto bruto e a depreciação.

PIL = PIB- Depreciação
Com a introdução do governo, por sua vez, pode-se usar dois conceitos de produto: produto a preço de mercado – PM PIB e a custo de fatores – CF PIB . O primeiro diz respeito ao produto levando-se em consideração o preço final pago pelo consumidor, que inclui os impostos e eventuais susbídios dados pelo governo. Por isso, o produto a preços de mercado é igual ao produto a custo de fatores adicionado dos impostos diretos e subtraído dos subsídios.



6. Taxas de câmbio

6.1 Definição
Sabemos que o preço dos bens e serviços é uma das variáveis econômicas mais importantes para a tomada de decisão das empresas, do consumidor e também do governo. No âmbito das relações econômicas internacionais, sabemos que cada país tem a sua própria moeda, isto é, os preços de bens e serviços iguais ou equivalentes são fixados em diferentes moedas. A taxa de câmbio é a variável econômica que faz a ligação entre os preços expressos em diferentes moedas e possibilita a tomada de decisão.

Imagine que na Itália um par de sapatos de couro custe € 100. Suponha que, no Brasil, o mesmo par custe R$ 300. Você deve decidir entre comprar esse par de sapatos aqui ou na Itália. O que você necessita saber para tomar essa decisão?

A resposta é a taxa de câmbio. Nesse caso, necessitamos saber quantos Reais eu preciso para comprar um Euro. Se com um Euro eu conseguir comprar menos três Reais, então vale mais a pena comprar o par de sapatos na Itália. Valeria mais a pena comprar no Brasil se, por outro lado, eu conseguisse comprar mais de três Reais com um Euro. A equação abaixo auxilia na compreensão dessa situação.


PREAIS é o preço do par de sapatos em Reais, PEURO é o preço do par de sapatos em Euros, e E é a taxa de câmbio nominal

Note que se E = 2,5 (um Euro custa 2,5 Reais), o par de sapatos comprado na Itália custará R$ 250 no Brasil. Nesse caso, vale mais a pena comprá-lo aqui. Por outro lado, se E = 3,5 (um Euro custa 3,5 Reais), o par de sapatos comprado na Itália custará R$ 350 e será mais vantajoso comprá-lo lá.

Com base no que foi apresentado, podemos dizer que a taxa de câmbio é o preço da moeda estrangeira. Por exemplo, quando dizemos que o Euro está R$ 3,20, significa que para comprar €1 necessitamos de R$ 3,20. Ou seja, R$ 3,20 é o preço de uma unidade da moeda européia.

6.2 Câmbio Nominal e Câmbio Real
Na equação apresentada acima, vimos que a taxa de câmbio foi definida em termos das duas moedas. Ou seja, ela nos diz quantas unidades da nossa moeda necessitamos para comprar uma unidade da moeda estrangeira. Essa taxa de câmbio é chamada de nominal.

Quando levamos em consideração a evolução dos preços no nosso país e no país estrangeiro ou, em outras palavras, quando consideramos a inflação doméstica e a inflação do país estrangeiro, estamos lidando com o conceito de taxa de câmbio real. É essa taxa que serve de incentivo para o aumento das exportações ou importações. A equação matemática da taxa de câmbio real é:

q é a taxa de câmbio real, PEXTERNO é o índice de preço do país estrangeiro
PINTERNO é o índice de preço do país doméstico.

Se ocorrer uma apreciação ou valorização da taxa de câmbio real em relação a uma moeda estrangeira, os bens nacionais ficam mais caros em relação aos bens estrangeiros e as importações aumentam. Se ocorrer uma depreciação ou desvalorização da taxa de câmbio, os bens nacionais ficam mais baratos em relação aos estrangeiros e as exportações aumentam.

1 Este tipo de cotação é conhecido como cotação indireta. Isto é, quantas unidades de moeda local são necessárias para
comprar uma unidade de moeda estrangeira.

6.3 Teoria da Paridade do Poder de Compra – PCC
Segundo a teoria da paridade do poder de compra, um bem deve ser vendido pelomesmo preço em todos os países do mundo. Dessa forma, o preço deve ser único em todos os lugares, caso contrário é possível obter lucro realizando operações de arbitragem (comprar em um lugar e vender em outro).

Imagine que o preço do quilo do café custe R$ 4 no Brasil e R$ 9 nos Estados
Unidos. Como existe uma diferença de preço entre os dois países, podemos comprar café no Brasil e vender nos Estados Unidos. Com isso, a demanda por café aumentará no Brasil, puxando o preço para cima, e a oferta de café aumentará nos Estados Unidos, baixando o seu preço. Com o tempo, os preços tendem a se equalizar. De acordo com a PCC, a equação da taxa de câmbio real pode ser escrita na forma:

Ou seja, a taxa de câmbio nominal acompanha a mudança nos preços relativos.

7. Balanço de Pagamentos

O Balanço de Pagamentos de um país é o registro contábil de todas as transações econômicas realizadas entre os residentes e não-residentes em determinado período. No Brasil, o balanço de pagamentos é elaborado pelo Banco Central e obedece à regra das partidas dobradas, ou seja, para cada crédito há um débito. As operações de vendas (exportações e vendas de ativos para estrangeiros) e de recebimentos são registradas como crédito e correspondem à entrada de divisas. As operações de compras (importações e compras de ativos de estrangeiros) e de pagamentos são registradas como débito e correspondem à saída de divisas.

A estrutura básica do balanço de pagamentos é:
1. Transações Correntes (TC)
1.1. Balança Comercial
Exportações
Importações
1.2. Serviços e Rendas
1.3.Transferências Unilaterais
2. Conta Capital e Financeira (CF)
2.1. Conta Capital
2.2. Conta Financeira
Investimento Direto (líquido)
Investimento em Carteira
Derivativos
Outros Investimentos
3. Erros e Omissões (EO)
4. Resultado do Balanço (BP)
O saldo do balanço de pagamentos é dado por:


7.1 Transações Correntes
Todas as transações relativas a compra e venda de bens e serviços do Brasil com o resto do mundo são registradas em transações correntes. A conta se subdivide em balança comercial, balança de rendas e serviços e transferências unilaterais.

7.2. Conta Capital e Financeira
As transações envolvendo compra e venda de ativos financeiros são registradas na conta capital e financeira. Nesta conta são registradas as entradas e saídas de investimento direto (em planas produtivas) e de investimento em carteiras (ações e títulos do governo).

Note que de acordo com a equação BP = TC + CF + EO, como EO é
apenas uma conta de ajuste, um déficit em transações correntes tem que ser
compensado por um superávit na conta capital e financeira e vice-versa. Se isso não ocorrer, o país tem um déficit no balanço de pagamento que deverá ser financiando com seu estoque de reservas internacionais ou por meio de empréstimos (endividamento).

Em 2008, o Brasil teve déficit em transações correntes de US$ 28.192 milhões.
Na conta capital e financeira obteve superávit de 29.352 milhões. Determinar o saldo do balanço de pagamentos de 2008, sabendo que a conta erros e omissões registrou saldo positivo de US$ 1.809 milhões.
Resolução:
O saldo do balanço de pagamentos pode ser calculado pela equação
BP = TC + CF + EO.      

BP = -28.192 + 29.352 + 1.809 = 2.969

Conclusão: O Brasil fechou o ano de 2008 com superávit de US$ 2.696 milhões no balanço de pagamentos.

8. Sistema Financeiro

8.1 Moeda
As trocas de bens e serviços sempre estiveram presentes nas sociedades. Com o crescimento das atividades comerciais e divisão do trabalho, as trocas diretas (escambo) tornaram-se inviáveis. Para resolver essa dificuldade surgiu a moeda. Inicialmente, usava-se um bem como moeda. Trigo, sal e gado já foram utilizados com essa finalidade.

Entretanto, em razão de requisitos como durabilidade, divisibilidade, facilidade de transporte e armazenagem, passou-se a abandonar o uso de mercadorias como moeda e a utilizar-se metais preciosos, como ouro e prata, que satisfazem esses requisitos. Com o passar do tempo, os países passaram a colocar em circulação recibos de depósitos feitos em ouro no Tesouro. Esses recibos lastreados em ouro passaram a circular pelos mercados e foram os precursores do nosso papel-moeda de hoje.
Nos dias de hoje, as moedas são emitidas sem lastro pelos países. O órgão de governo responsável pela emissão de moedas é o banco central, que pode fazê-lo para financiar o déficit público ou para estabilizar a economia. O Banco Central do Brasil atualmente atua na estabilidade da moeda, por meio do programa de metas de inflação.

8.2 Funcionamento dos Bancos
Os bancos realizam as operações financeiras, que consistem na transferência de recursos ora do poupador para o banco ora do banco para o investidor. No caso de uma operação de captação, os poupadores recebem uma remuneração (juros) por se privarem do consumo hoje. Em contrapartida, no caso de uma operação de aplicação de recursos, os investidores, por necessitarem de liquidez, tomam recursos emprestados hoje e se dispõem a pagar juros.

Se um banco capta recursos a 15% e os aplica a 20% ele terá um lucro
financeiro de 5% por operação. Dessa forma, se um poupador deposita R$ 100,00 no banco, ao final de um ano poderá sacar R$ 115,00 enquanto se um investidor toma emprestado R$ 100,00, ao término de um ano, deverá pagar ao banco R$ 120,00. Nessa operação o banco obteve um lucro financeiro de R$ 5,00 (devido ao “spread” de 5%).

8.3 Multiplicador da Base Monetária
O sistema bancário ao realizar as operações de captação e aplicação multiplica a quantidade de moeda emitida pelo Banco Central. Por exemplo, se alguém deposita R$ 100 em um banco, poderá utilizar essa quantia em uma operação futura. Ao mesmo tempo, o banco poderá emprestar R$ 100 a uma empresa. Dessa forma, os bancos multiplicam a base monetária.

Conceitos utilizados na Economia Monetária:
Base Monetária: compreende o total de papel-moeda emitido em poder do público e as reservas bancárias.
M1: compreende a base monetária e os depósitos à vista.
M2: compreende M1, os depósitos de poupança e os títulos privados.
Depósitos compulsórios: percentual sobre os depósitos à vista e a prazo, fixado pelo CMN, que os bancos têm que repassar ao Banco Central.


9. Políticas Macroeconômicas

Instrumentos da política macroeconômica

A política macroeconômica envolve atuação do governo no conjunto da economia. Para que a política seja efetivada, o governo lança mão de uma serie de instrumentos para atingir as metas macroeconômicas.

Política fiscal, política monetária, política cambial e comercial e política de rendas

Política fiscal: esta relacionada aos instrumentos de que o governo dispõe para arrecadar impostos, controlar despesas, estimular ou desestimar o consumo, bem como os gastos privados.

- Tributos a impostos em geral
- Controle de despesas a funcionalismo
- Estimulo / desestimulo do consumo
-          Gastos gerais
-           
Se o governo pretende reduzir a inflação diminui os gastos públicos e aumenta a carga tributaria. Se o governo quer aumentar o emprego, aumenta os gastos governamentais
Se o governo quer atuar na distribuição de renda ou na desigualdade regional, impõe imposto sobre a natureza ou incentivos para as regiões mais pobres.

A política fiscal obedece ao principio da autoridade segundo o qual a implementação de uma medida fiscal só pode ocorrer a partir do ano seguinte ao de sua aprovação no congresso.


Política monetária: esta relacionada ao estoque monetário do país. Envolve emissão de moeda, renda e compra de títulos públicos, bem como a regulação do sistema bancário.
Emissão de moedas: mecanismo pelo qual o governo pode aumentar ou diminuir o volume de moeda na economia, de acordo com os interesses de estimular ou desestimular o consumo.

Reservas compulsórias: mecanismo pelo qual o governo impõe aos bancos comerciais a retenção de uma parcela dois depósitos

Mercado aberto: estrutura a partir da compra e venda de títulos públicos

Redesconto: são empréstimos do banco central aos bancos com dificuldades passageiras.

Taxa de juros: instrumento pelo qual o governo pode incentivar ou desacelerar o crescimento econômico

Política cambial e comercial: são políticas voltadas para o setor externo da economia

Política cambial: refere-se à capacidade do governo de definir a taxa de cambio, através do banco central. A taxa de cambio pode ser definida pelo mercado se assim o governo definir

Política comercial: tem como instrumentos os incentivos a exportação, de estimulo ou desestimulo as importações, através de instrumentos fiscais e creditivos alem das barreiras tarifarias

Política de rendas: esta ligada à capacidade do governo de atuar na formação e apropriação da riqueza, mediante a fixação dos salários e o controle dos preços. No Brasil não existe uma estratégia para a política de rendas, no sentido de sua distribuição mais justa. As políticas governamentais nessa área atendem muito mais os interesses do capital do que do trabalho.

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